A demissão da Gina Carano expõe os perigos das redes sociais.


Gina Carano é uma atriz estadunidense, apoiadora do partido republicano, extremamente controversa e seguidora fanática do ex-presidente Trump. Foi contra o uso de máscaras em ambientes fechados nas redes sociais e já criticou o sistema eleitoral americano, defendendo que a eleição americana foi fraudada. Gina não é uma pessoa perfeita. Ela, possivelmente, não fará nada para agradar o status quo ou a grande maioria de seus seguidores. Suas opiniões, mesmo que falhas, são particulares. Ontem, dia 10 de Fevereiro de 2021, após comparar levemente o sofrimento de um eleitor de Trump com a de um judeu na época nazista, a atriz foi demitida pela produtora “Lucas Film” e não fará parte mais da série “The Mandalorian”, e ainda perdeu a possibilidade de atuar numa série voltada apenas à sua personagem. Foi uma atitude errada da empresa, embora legítima, que expõe os perigos das redes sociais. Ela não deveria ter sido demitida por dois motivos.

O primeiro é que Gina Carano é apenas uma atriz. Não é comunicadora nem jornalista. Suas falas sobre o holocausto não representam nem um pouco sua empresa. Uma coisa é demitir um jornalista que está se comunicando para milhões de telespectadores nacionalmente, outra é demiti-lo por uma opinião privada numa rede social.

O segundo motivo é devido ao conteúdo do post. Em nenhum momento Gina usou frases imperativas ou criminosas. Portanto, seu discurso, por mais absurdo que seja, não foi criminoso. A liberdade de expressão dos cidadãos é limitada sim, mas este limite é imposto pelas leis que criminalizam certas condutas verbais. Uma coisa é verbalizar de forma imperativa e defender a morte de cidadãos ou defender atitudes discriminatórias com ordens verbais, por exemplo, “Matem os judeus!” ou “Expulsem os judeus!”, outra, muito diferente, é fazer uma comparação ruim entre uma situação como eleitora conservadora com a situação do judeu na época nazista.

E por esses motivos, foi um erro a demissão da Gina Carano. Teorias conspiratórias são defendidas por inúmeras pessoas, muitas destas com cargos nas mais diversas empresas, e não é nada razoável perder o emprego por opiniões comparativas exageradas e falaciosas ou por se apoiar a alguma teoria ruim.

Ter rede social hoje em dia se tornou chato e aprisionador para quem é observado pela empresa. E as pessoas estão cada vez mais conservadoras, limpas e elegantes no Instagram. As empresas reduzem muito o nível de liberdade dos indivíduos ao terem acesso às redes sociais destes. Triste constatar que o funcionário tem que vestir paletó e postar livros diariamente para aparentar ser um intelectual dedicado ao trabalho.

É plenamente possível a empresa conviver com a liberdade de expressão de seus funcionários. Basta se aterem a lei e não à moral.

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