SAÍDA DE CAMPO DO JOGO DO PSG: DEVEMOS CONVIVER COM RACISTAS?

Em partida válida pela Liga dos Campeões, PSG e Basaksehir enfrentaram-se pelo grupo H, no estádio Parque dos Príncipes. Com negros, brancos e pardos jogando em ambas as equipes, ainda na metade do primeiro tempo, um suposto ato de racismo foi perpetuado pelo quarto árbitro da partida, o romeno Sebastian Colţescu. O verbalmente agredido foi o ex-jogador e agora participante da comissão técnica da equipe turca,
Pierre Webó. 
 
Transtornados com o ato do romeno, os jogadores foram ao encontro do juiz pedindo pela retirada do quarto árbitro. Este pedido foi negado pela maior autoridade no campo. Os jogadores decidiram-se então pela saída de campo. Há muito para se refletir a respeito deste ato histórico. Não há dúvida que esta debandada reflete a sensação atual de intolerância com ideias preconceituosas. Rejeita-se ainda com mais ênfase atos considerados racistas. O ato também mostra a falibilidade do argumento libertário que propõe a extinção da lei de crime racial. Explico, há um grupo de pessoas que se colocam à direita e se classificam como libertárias defendendo um grau de liberdade de expressão maior. Para isto, alguns até defendem extirpar alguns artigos da lei de crime racial, que dita a punição para atitudes racistas dos cidadãos. No entanto, com a retirada dos jogadores do campo, hipoteticamente, mesmo num mundo em que racismo não fosse crime, como desejaria os libertários, os jogadores sairiam mesmo assim ou o quarto árbitro seria retirado. Enfim, os jogadores não iriam tolerar o racismo.

No USA, movimentos radicais antirracistas, como o Black Lives Matter, agem de forma violenta, talvez porque a sociedade americana é obrigatoriamente pela lei a aceitar a conviver perto de pessoas racistas. Nos Estados Unidos, você assiste uma manifestação de rua racista e não pode fazer nada. Tem que aceitar a presença daquelas pessoas.

A saída de campo dos jogadores representa portanto que uma parte da sociedade não mais aceita esta ideia libertária de convívio de ideias e ações imorais. Haveria um limite. É interessante observar se a partir de agora os jogadores vão agir de forma cada vez mais civil. Palavras injuriosas em campo poderiam ser tratadas da mesma forma, homofobia por parte dos torcedores levaria jogadores a saírem de campo, atitudes imorais, como mentir para o árbitro, seria visto como algo irrepreensível. Portanto, é aguardar para ver.

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