O primeiro, o segundo e o terceiro erro da mídia.
É fato que uma discussão animalesca, irracional e deveras emotiva nas redes sociais acontece sobre o que seria estupro de vulnerável. Sempre foi assim. É algo recorrente discutir crimes quando um caso policial notório ganha repercussão, ainda por cima quando envolve pessoas influentes ou crime bárbaro. O mais recente ocorreu com a blogueira influencer Mariana Ferrer, de 23 anos, que acusa um homem de estupro, supostamente ocorrido numa festa em 2018.
Em vez da verdade, a mentira. Em vez da calma, a pressa. Em vez de princípios éticos, puro populismo irracional. Quem leva a opinião pública a essa postura animalesca e emotiva é a mídia, cada vez mais afoita e descontrolada, abusando da inocência do povo para mover a opinião pública.
Sempre quando um caso como esse ganha repercussão nacional todo mundo quer se beneficiar disso e faturar uma grana: políticos, jornalistas, blogueiros, profissionais da autoajuda, páginas do Instagram, Ivete Sangalo, Anitta, psicólogos, terapeutas ocupacionais, pilotos de avião, recém-chegados na política e portais de esquerda e colunistas de direita, aqueles representados por Mídia Ninja, Quebrando o Tabu e The Intercept, enquanto estes representados por Gazeta do Povo, Rodrigo Constantino e bolsonaristas influenciadores das redes sociais.
O PRIMEIRO ERRO
Tudo começou com uma matéria do The Intercept mentirosa sobre a decisão do juiz que não cita em momento algum "estupro culposo" em sua decisão. O juiz simplesmente achou que não havia provas para condenar o acusado de estupro. O The Incercept, além deste erro, nesta mesma matéria, editou um vídeo para passar a ideia de que o juiz não estava cuidando do caso direito e deixava o advogado do réu, do suposto estuprador, humilhar a Mariana Ferrer audiências. A partir dessa matéria, outros erros aconteceram.
O SEGUNDO ERRO
Revoltados com o juiz e com o advogado, milhares de pessoas no Instagram repercutiram essa informação falsa, propagadas por páginas, como "Quebrando o Tabu", "Mídia Ninja" etc, de que o juiz do caso dela teria absolvido o estuprador e tratado o caso como um "estupro culposo".
O fato é que o promotor fala em "fato atípico" e o juiz na sentença absolveu o acusado por falta de provas.
E tudo desandou daí até chegar ao TERCEIRO ERRO: a existência de Rodrigo Constantino no planeta Terra.
O ex-colunista da Veja e atual representante do bolsonarismo, agora trabalhando pela Gazeta do Povo, a maior passadora de pano do conservadorismo da direita brasileira. Em sua live do dia 4 de novembro, Constantino falou que, se sua filha revelasse que foi estuprada por um homem enquanto dormia durante uma festa com inúmeros jovens bebida alcoólica e diversão, ele iria colocá-la de castigo já que uma mulher "direita" não deveria nem estar num local como esse. O que o colunista falou e a tese que ele implicitamente defendeu é absurda.
Absurdo por defender implicitamente que transar com uma mulher em estado alcoólico grave não seria estupro de vulnerável. Absurdo por tratar a vítima de estupro como mentirosa de cara e com desdém não averiguar os fatos. Absurdo porque estupro de vulnerável é um crime sério e que provavelmente muitos homens, extremamente desinformados, nem conhecem direito a sua gravidade.
É importante dizer sempre que transar com uma mulher em coma alcoólico é estupro de vulnerável pois a mulher nessas condições não conseguiria resistir, nem se quisesse, ao estuprador.
Transar com uma mulher que está dormindo também é estupro de vulnerável. E também é estupro de vulnerável penetrar um dedo na vagina de uma mulher enquanto ela dorme por se tratar de um ato libidinoso semelhante a conjunção carnal.
Estes três erros são canalhas e expõe uma faceta exploratória e desleal da mídia. São muitos absurdos para ganhar fama. Mas é o que acontece sempre. A mídia toda vez tenta ganhar fama com casos notórios policiais.
O povo brasileiro necessita cada vez mais da divulgação da verdade e de informações bem embasadas.
Comentários
Postar um comentário